“Achatar a curva”: tentativa de diminuir a propagação do novo Coronavírus e impedir um aumento significativo no número de pessoas infectadas em um curto período de tempo. Ao praticar o isolamento social, os indivíduos saudáveis podem ajudar a retardar a proliferação da doença, ajudando a “achatar a curva” dos gráficos de novos casos de Covid-19.

Álcool a 70%: o uso do álcool em gel, em nosso país, foi bastante popularizado na época em que o medo da gripe H1N1 rondava o nosso dia a dia, no ano de 2010. Shoppings, terminais de ônibus, hospitais, restaurantes e diversos estabelecimentos, públicos e privados, dispunham do álcool 70% para que as pessoas pudessem higienizar suas mãos. Surpreendentemente, a incidência de muitas doenças infectocontagiosas diminuiu nesta época, mostrando a eficácia de tal medida. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, no dia 26/10/2010, no Diário Oficial da União, uma resolução que já tornava obrigatória a disponibilização de álcool em gel para limpeza antisséptica das mãos, em todos os serviços de saúde. Com a pandemia de Covid-19, entre 2020/2021, o uso deste tipo de álcool, seja na forma líquida ou em gel, tornou-se um novo hábito de higienização das mãos, das superfícies, de compras e embalagens, a fim de evitar a propagação do coronavírus por contato com possíveis gotículas presentes nestes locais. A concentração de pelo menos 70% é exigida porque a presença de aproximadamente 30% de água, nessa solução, propicia a desnaturação de proteínas e de estruturas lipídicas da membrana celular, e a consequente destruição do micro-organismo, com maior eficiência do que em porcentagens menores ou maiores de etanol. O álcool tem poderes antisséptico e desinfetante, e na concentração de 70%, tem a proporção exata e eficiente de água e álcool para eliminar o vírus (ou qualquer outro micro-organismo, como bactérias ou fungos). Entre os mais comuns encontrados no mercado estão o 70GL e o 70INPM. A principal diferença entre o álcool em gel °INPM e o °GL é que eles são medidos em grandezas diferentes (massa e volume, respectivamente). De todo modo, ambas são eficientes para a assepsia e ajudam a minimizar o contágio da Covid-19.

Anvisa: Agência Nacional de Vigilância Sanitária; órgão vinculado ao Ministério da Saúde, a Anvisa é uma agência reguladora e sua finalidade é fiscalizar a produção e consumo de produtos submetidos a vigilância sanitária, como medicamentos, vacinas, agrotóxicos e cosméticos. A agência também é responsável pelo controle sanitário de portos, aeroportos e fronteiras.

Assintomático: aquela pessoa que não apresenta sinais ou sintomas de doença pelo novo Coronavírus. Não se sabe se estas pessoas podem, em algum momento, serem transmissoras do vírus. Os sintomas mais frequentes da Covid-19 são: febre (a partir de 37,8ºC), tosse seca e, em casos mais graves, falta de ar.

AstraZeneca: empresa fundada em 1999 por meio da fusão do laboratório sueco Astra AB e da empresa farmacêutica britânica Zeneca Group. Possui três centros de pesquisa e desenvolvimento de produtos – em Cambridge, na Inglaterra, em Gotemburgo, na Suécia, e em Gaithersburg, Maryland, Estados Unidos. Uniu-se durante a pandemia do novo coronavírus à Universidade de Oxford para pesquisar e produzir uma vacina, que ficou conhecida como “a vacina britânica Oxford-Astrazeneca”. Esta vacina utiliza uma tecnologia biomolecular baseada no chamado “vetor viral”, que consiste na utilização de um vírus modificado para estimular o sistema imunológico na produção de anticorpos contra o novo coronavírus. Na fabricação da vacina, uma espécie de vírus enfraquecido (adenovírus ChAdOx1), conhecido por causar gripe comum em chimpanzés, após ser modificado para não se multiplicar, carrega parte do material genético do SARS-CoV-2 responsável pela produção de uma proteína (“Spike”) que auxilia o vírus da Covid-19 a invadir as células humanas. Assim, após a vacinação, o adenovírus começa a produzir essa proteína Spike, ensinando o sistema imunológico humano que toda partícula com essa proteína deve ser destruída. Assim, após a imunização adequada (2 doses do mesmo fabricante e com intervalo de 12 semanas entre as aplicações) o sistema imune do nosso organismo torna-se capaz de reconhecer e atacar rapidamente o coronavírus, caso seja infectado. A eficácia geral apresentada pela AstraZeneca para a vacina nos testes foi de cerca de 70% (entre 62% e 90%), após a aplicação das duas doses. Sendo assim, apresentou resultado satisfatório (acima dos 50% exigidos pela Anvisa) e também tem grande potencial de redução do número de internações pela doença, o que promete reduzir consideravelmente a taxa de ocupação do Sistema Único de Saúde. Ela chegou a ser desaconselhada a pessoas com idade inferior a 60 anos por risco de trombose, mas foi retomada após conlcuir-se que os riscos da Covid eram maiores que a possibilidade de ocorrer o efeito colateral.

Autoisolamento: a prática de alguém doente se separar espontaneamente daqueles que estão saudáveis, a fim de prevenir a disseminação da doença. Algumas estratégias incluem limitar-se a um único quarto/banheiro durante o período de recuperação e não sair em público até que o perigo de transmissão tenha passado.

Auxílio emergencial: é um benefício financeiro destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados para fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus – COVID 19; foi instituído pela Lei nº 13.982, de 02/04/2020 e regulamentado pelo Decreto nº 10.316, de 07/04/2020, que definiu o valor de R$ 600, pago durante três meses; foi reeditado outras vezes, entre 2020 e 2021, com variação nos valores e condições de pagamento.

Azitromicina: é um antibiótico usado no tratamento de infecções do trato respiratório, IST, entre outras doenças; considerada segura, pode ser indicada para crianças, adultos e idosos; entre suas vantagens, destaca-se a possibilidade de ser utilizada por menor tempo; o uso frequente, entretanto, pode gerar resistência rapidamente; entre as abordagens terapêuticas utilizadas contra a Covid-19 em pessoas hospitalizadas, é comum o uso da azitromicina ou de outros antibióticos e medicamentos, especialmente em pacientes com pneumonia, doença pulmonar, doença respiratória aguda, desde que relacionadas ao vírus Sars-CoV-2. No entanto, é importante ressaltar que, como qualquer antibiótico, a azitromicina tem como função combater bactérias oportunistas e não age contra vírus. Por isso, o medicamento não deve ser usado para a prevenção da Covid-19 ou para o tratamento de qualquer doença sem orientação médica, conforme se chegou a propor durante a pandemia (uso profilático, ou “precoce”, da Covid-19).

Caso confirmado: paciente que apresenta sintomas e cujo teste confirmou a presença do vírus no organismo.

Caso suspeito: paciente que apresenta sinais ou sintomas que podem ser sugestivos de infecção pelo novo Coronavírus.

Cepa: é uma variante viral que se comporta de modo diferente do vírus original.

Cloroquina e hidroxicloroquina: substâncias compradas e produzidas em larga escala pelo governo brasileiro, logo no início da pandemia, sob a alegação de que seu uso precoce (ver “tratamento precoce”), ou seja, antes da contaminação e sintomas da Covid-19, pudesse reduzir risco de morte e internações. Estas drogas são usadas para tratar doenças como lúpus eritematoso sistêmico e discoide, artrite reumatoide e juvenil, doenças fotossensíveis e malária. São dois remédios de formulações diferentes, mas que levam a mesma substância, a cloroquina. Os benefícios clínicos são parecidos, mas os efeitos adversos não. A hidroxicloroquina é considerada um pouco mais segura, com menos efeitos colaterais. Os efeitos de toxicidade variam de acordo com o organismo de cada pessoa. Os medicamentos podem causar problemas como distúrbios de visão, irritação gastrointestinal, alterações cardiovasculares e neurológicas, cefaleia, fadiga, nervosismo, crises agudas de psoríase ou porfiria, prurido, queda de cabelo e exantema cutâneo. Quanto à eficácia no tratamento da Covid-19, os medicamentos são alvos de diversas pesquisas no mundo todo. Enquanto alguns testes indicam melhora dos pacientes, outros apontam que a droga não fez diferença no tratamento, tendo sido, inclusive, abandonada em países como Estados Unidos, França, Itália e Suécia, que alegaram risco maior de arritmias cardíacas durante o uso.

CoronaVac: vacina desenvolvida pela empresa biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Essa vacina foi testada em mais de 12 mil voluntários entre 18 e 59 anos, não apresentou efeitos colaterais graves em nenhum deles e apenas 35% dos voluntários apresentaram algum tipo de reação adversa, porém todas elas classificadas como em grau leve, como dor local e febre baixa. A CoronaVac foi criada por meio de uma tecnologia molecular já muito utilizada em outros imunizantes. Assim como nas vacinas da gripe, poliomielite, hepatite e da meningite, ela é composta por vírus inativado, ou popularmente como “vírus morto”. As partes do novo coronavírus presentes na vacina são apenas aquelas que permitem o reconhecimento do vírus pelo nosso sistema imune e não pela sua parte responsável por causar a doença. Sendo assim, a produção do imunizante consiste em inativar o coronavírus, de maneira que fique incapaz de se multiplicar e transmitir a doença, pois torna-se incapaz de infectar as células humanas. O esquema de vacinação é composto por duas doses, do mesmo laboratório, com intervalo entre 2 a 4 semanas entre as aplicações. A eficácia geral apresentada pelo Instituto Butantan para a CoronaVac nos testes brasileiros foi de 50,38%, o que pode parecer baixo em primeiro momento, mas que traz ótimos resultados quando detalhados: a vacina mostrou-se 100% eficaz nos casos moderados e graves e 78% eficaz nos casos leves da Covid-19. Ou seja, a aplicação da vacina, quando feita adequadamente em duas doses, tem grande potencial de redução do número de internações pela doença.

Coronavírus: um grupo de vírus capaz de causar doenças em humanos e animais. O novo Coronavírus, conhecido como SARS-CoV2, causa a doença Covid-19. São da mesma família o SARS-CoV e o MERS-CoV, além de outros coronavírus que causam normalmente resfriados comuns. Sua estrutura é formada por micro espinhos quando vista ao microscópio eletrônico, que se parecem muito com uma coroa. É daí que vem o nome de “corona”.

Covax-Facility: programa lançado em abril de 2020 pela Organização Mundial de Saúde, em conjunto com a Comissão Europeia e a França, como resposta à pandemia da Covid-19. O programa tem como objetivo acabar com a pandemia de modo rápido e seguro, e, para isso, as três corporações investem em pesquisa científica e produções em larga escala. Além disso, a Covax Facility tem como objetivo auxiliar para que todas as nações tenham acesso às vacinas de forma justa e igualitária independente de sua condição financeira. O Programa Covax Facility possui um portfólio de 170 vacinas. Uma vez que qualquer uma das vacinas presentes no catálogo da Covax tenha sido aprovada de forma segura e eficaz, as doses disponíveis serão alocadas proporcionalmente aos países que assinaram o acordo conforme sua capacidade econômica. Na prática, as doses produzidas são divididas em três grupos: países com autofinanciamento, países de média e baixa renda, e estoque reserva. Os países participantes com autofinanciamento, como o Brasil, por exemplo, são nações que assinaram o acordo e ainda possuem o poder econômico de comprar as vacinas já fabricadas. No dia 04/02/2021, o Senado aprovou a Medida Provisória nº 1.003/2020 que permite o Brasil integrar a Covax Facility. Como resultado da adesão com o consórcio, no dia 21 de Março de 2021 o Brasil recebeu o primeiro lote de vacina contra a Covid-19, composto de 1.002.400 doses da AstraZeneca.

Covaxin: vacina produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, cuja representante no Brasil é a empresa Precisa Medicamentos. Foi aprovada pela anvisa em 04/06/2021. Utiliza a tecnologia de vírus inativado, similar à da vacina da gripe. O coronavírus Sars-CoV-2 é modificado para que se torne não infectante. O intervalo entre as doses é de 28 dias. A eficácia é de 78% contra Covid-19 leve e moderada, e de 100% em casos graves, com impacto na redução das hospitalizações. A vacina também se mostrou eficaz contra a variante B.1.617 e suas sublinhagens, que foi primeiro identificada no país asiático. O Ministério Público Federal do Distrito Federal abriu investigação preliminar para avaliar se houve crime no contrato firmado entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa Medicamentos para a compra da Covaxin, citando o risco temerário no acordo firmado. Essa transação também está sendo investigada pela CPI da Covid do Senado. Em despacho determinando a apuração nas esferas cível e criminal, o MPF destacou que o contrato entre a Precisa, representante do laboratório indiano Bharat Biotech, fabricante da Covaxin, e o Ministério da Saúde para a entrega de 20 milhões de doses tem valor total de 1,6 bilhão de reais, “tendo sido a dose negociada por 15 dólares, preço superior ao da negociação de outras vacinas no mercado internacional, a exemplo da vacina da Pfizer”.

Covid-19: é o nome da doença causada pelo vírus SARS-CoV-2 e é uma abreviação de Corona Virus Disease (“doença causada pelo vírus Corona”, em tradução literal do inglês). Os sintomas mais comuns da Covid-19 são: febre, tosse, dor de garganta, coriza, perda de olfato ou paladar, dor de cabeça, cansaço e falta de ar. No início da pandemia achava-se que acometeria mais gravemente apenas os idosos, mas a idade de acometimento da doença, inclusive com o risco “morte” foi caindo ao longo do tempo, atingindo indistintamente jovens e idosos.

CPI da Covid: a CPI da Covid-19, também chamada de CPI da Pandemia, CPI do Coronavírus, ou simplesmente CPI da Covid, é uma comissão parlamentar de inquérito em andamento na República Federativa do Brasil que investiga supostas omissões e irregularidades nas ações do governo federal durante a pandemia de Covid-19 no Brasil. Foi criada em 13 de abril de 2021 e oficialmente instalada no Senado Federal em 27 de abril de 2021. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi o idealizador da comissão, devido à gravíssima crise sanitária no estado do Amazonas. O objetivo do requerimento apresentado por Randolfe Rodrigues (Rede-AP) é discutir as ações do governo federal no enfrentamento da pandemia, em um cenário em que o Brasil ocupa o segundo lugar mundial em número de mortos pela Covid-19. Os principais focos da CPI são as alegações de que o governo federal teria sido contrário a medidas sanitárias como o distanciamento social e utilização obrigatória de máscara facial. Também é acusado de atraso na compra de vacinas, além da divulgação de tratamentos ineficazes e uso de dinheiro público na compra de medicamentos sem comprovação científica de eficácia. As demissões de ministros da Saúde, como Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, também serão alvo de esclarecimentos, bem como a causa da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus, entre outros. O Presidente da CPI é o Senador Omar Aziz (PSD/AM); o Senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) é o vice, e o Senador Renan Calheiros (MDB/AL) é o relator.

Delivery: palavra inglesa que significa “entrega”. Embora já utilizada antes da pandemia, seu uso se intensificou diante do fechamento de supermercados, restaurantes, bares, lojas, e como necessidade de se praticar isolamento social, em que as pessoas evitaram expor-se ao risco de contaminação pelo coronavírus. Muitas empresas ganharam força com este tipo de serviço, cujos entregadores, geralmente em motocicletas ou bicicletas, entregam refeições, remédios e compras em geral na residência do solicitante.

Distanciamento Social: medidas tomadas para reduzir o contato entre as pessoas, inclusive as não-infectadas. Consta da prática de manter cerca de 2 metros de distância de outra pessoa, evitando, assim, contato com secreções provenientes da fala, tosse e espirros. Novas formas de cumprimento que não sejam por contato físico também foram criadas – como o “soquinho” entre as mãos ou o toque de cotovelos. É realizado para desacelerar a disseminação de uma doença e é o que o maioria dos brasileiros está fazendo atualmente.

ECMO: sigla em inglês para “Extra Corporeal Membrane Oxygenator” (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), é um equipamento de alta complexidade, capaz de funcionar como um pulmão e um coração artificiais para pacientes que estão com estes órgãos comprometidos. A máquina pode ser usada em pessoas de todas as idades, desde recém-nascidos até idosos, e possibilita substituir a atividade do coração ou do pulmão, o que ocorre com frequência em casos graves de Covid-19. Os principais benefícios no uso da ECMO são equilibrar a circulação de maneira rápida e eficaz, dar tempo ao pulmão ou ao coração de se recuperarem, manter o coração e/ou o pulmão funcionando enquanto o paciente trata a causa que o levou ao uso da ECMO, e possibilidade de receber hemodiálise e fazer procedimentos cirúrgicos paralelamente ao uso da máquina. Os riscos em seu uso incluem hemorragia, embolia, AVC e infecções. É um equipamento caro, que custa entre R$ 50 e R$ 60 mil, existente apenas em 21 centros médicos do país. O custo diário de uso é de cerca de R$ 30 mil.

EPI: equipamento de proteção individual que é usado para diminuir a exposição a riscos que podem causar doenças ou ferimentos.

Epidemia: aparecimento de um grande número de casos de determinada doença, em determinado período de tempo, em uma localização geográfica específica.

Epidemiologia: é a ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação de doenças, e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde; Epidemiologistas podem ser médicos, enfermeiros, dentistas, estatísticos, demógrafos, nutricionistas, farmacêuticos, assistentes sociais, geógrafos, dentre outros profissionais, que estudam, seja cientificamente, sociologica ou economicamente a ocorrência de determinada doença e seu impacto nas sociedades.

Estado de calamidade: situação anormal que pode ser decretada nas esferas municipal, estadual e federal, desencadeada por algum desastre que afeta uma região, comprometendo seu poder de resposta. Neste estado, o governo pode fazer compras emergenciais sem a realização de licitações para custear ações rápidas de combate ao problema, e pode aumentar gastos com contratação de força de trabalho.

Estado de emergência: é decretado quando há iminência de danos à saúde e aos serviços públicos. Permite aos governos locais e federal adotar medidas com menos burocracias.

Fake news: termo proveniente do inglês fake (falsa/falso) e news (notícias). Dessa forma, em português, a expressão significa “notícias falsas”. Apesar de ter se destacado recentemente, a expressão é bem mais antiga e data do final do século XIX. Fake News são as informações falsas que se disseminam entre a população como se fossem verdadeiras. Atualmente, elas estão relacionadas principalmente às redes sociais. Durante a pandemia de Covid-19, muitas foram as fake news disseminadas, sobretudo quanto a tratamentos, eficácia de vacinas, origem da doença, etc.

Fiocruz: Fundação Oswaldo Cruz, vinculada ao Ministério da Saúde, a mais destacada instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, fundada em 25 de maio de 1900. Além de produzir testes moleculares para detecção da Covid-19 em grande escala para o Ministério da Saúde (com a entrega de 15 milhões de testes, em dados de maio 2021), a Fundação foi responsável pela produção de 40% das vacinas anti-Covid-19 no Brasil, por meio de acordo com a farmacêutica AstraZeneca, cujo IFA fora desenvolvido pela Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Gripe espanhola: o coronavírus é comparado com a gripe espanhola de 1918, considerada uma das pandemias mais mortais da história. Causada pela mutação de um dos vírus da gripe, o influenza, a gripe infectou 500 milhões de pessoas, 25% da população do planeta.

Grupo de risco: pessoas com maior chance de terem quadros graves, caso adquiram a doença. São aqueles portadores de doenças crônicas (como problemas cardíacos, diabetes, insuficiência renal, doenças pulmonares e pacientes imunossuprimidos, como os oncológicos).

Home Office: expressão em língua inglesa que significa, literalmente, escritório em casa; é aquele exercido em outro lugar específico que não a Sede do órgão público ou da empresa, no caso, a residência do funcionário. Faz-se necessário o uso de tecnologias de informação e de comunicação para o recebimento, envio e realização das tarefas/atividades entre empregado e empregador, tais como e-mail, WhatsApp, Facebook, softwares etc. Expressões sinônimas são “trabalho remoto” e teletrabalho.

IFA: sigla que significa Ingrediente Farmacêutico Ativo, ou seja, a matéria prima com que é desenvolvida uma vacina ou medicamento. O IFA é fundamental na formulação de um fármaco porque está nele a substância capaz de produzir o efeito desejado. Nas vacinas, é o IFA que tem a informação que faz com que o organismo comece a preparar suas defesas contra um micro-organismo invasor. Para a produção de vacinas no Brasil, foram recebidos IFAs da Sinovac (empresa chinesa), para a produção da Coronavac, pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e da Astrazeneca, pela Fiocruz, do Rio de Janeiro, para a produção da chamada “vacina da Oxford”, universidade inglesa que desenvolveu a matéria prima.

Imunidade de rebanho: o é o termo que define o momento em que a cadeia de transmissão de uma doença dentro de um grupo populacional é interrompida por se ter atingido um grande percentual de indivíduos já imunizados contra o agente infeccioso. Esta imunidade, ou resistência à infecção, pode ser adquirida pelos indivíduos que se recuperaram, após sofrer a doença, ou foram vacinados contra o agente causador. Também chamada de imunidade de grupo e imunidade coletiva, a imunidade de rebanho consiste em atingir um ponto em que há uma quantidade suficiente de pessoas imunes ao vírus, interrompendo a transmissão comunitária. E, com menos indivíduos suscetíveis ao vírus, ele vai aos poucos deixando de circular. Mais de um ano depois do surgimento do vírus, é consenso na comunidade científica que alguns fatores podem tornar isso mais difícil de acontecer —se é que algum dia irá acontecer de forma natural, sem o auxílio de uma vacina.

Invermectina: é um antiparasitário capaz de combater vermes, parasitas e ácaros; entre as suas vantagens destaca-se seu efeito contra a pediculose (piolhos); bem tolerada por adultos e idosos, só pode ser usada por crianças acima dos 5 anos e 15 kg, sendo contraindicada para pessoas com meningite ou algumas enfermidades do Sistema Nervoso Central. Até o momento, junho de 2021, não existem medicamentos ou terapias aprovadas pelas autoridades médicas e sanitárias para prevenir ou tratar a Covid-19. As estratégias que os médicos dispõem buscam prevenir infecções e controlar o avanço e a gravidade da doença, incluindo o uso de oxigênio e ventilação mecânica quando indicados. Contudo, entre as pesquisas sobre possíveis abordagens terapêuticas contra a Covid, chamou a atenção um artigo publicado por pesquisadores do Instituto para a Infecção e a Imunidade Peter Doherty (Austrália), em junho de 2020. Em estudos laboratoriais preliminares (in vitro), a ivermectina se mostrou eficaz na inibição da replicação do Sars-CoV-2, o coronavírus, no prazo de 24 horas. Embora pareça promissor, o uso desse medicamento ainda precisa ser testado em humanos. Esses dados foram publicados online pelo periódico Antiviral Research.

Isolamento domiciliar: pacientes que apresentam sintomas leves e foram diagnosticados com Covid-19 e que permanecem em casa, isoladas, até a recuperação. É a separação de pessoas doentes das pessoas saudáveis.

Isolamento social: ausência total de contato com outras pessoas que não aquelas com as quais se reside, a fim de evitar contaminação com o Coronavírus e manifestação da Covid-19. Medidas administrativas de governos e prefeituras incentivaram o isolamento social, com o fechamento de bares, restaurantes, supermercados e lojas (em determinados dias da semana ou atendimento em horários reduzidos). A introdução de home office, o trabalho em casa, também foi outra medida importante para reforçar o isolamento social.

Instituto Butantan: instalado na Fazenda Butantan, zona Oeste de São Paulo, em fevereiro de 1901, o instituto é vinculado ao Governo do Estado de São Paulo. É o principal produtor de imunobiológicos do Brasil, responsável por grande porcentagem da produção de soros hiperimunes e grande volume da produção nacional de antígenos vacinais, que compõem as vacinas utilizadas no PNI (Programa Nacional de Imunizações) do Ministério da Saúde. As atividades de desenvolvimento tecnológico na produção de insumos para a saúde estão associadas, basicamente, à produção de vacinas, soros e biofármacos para uso humano. No contexto da pandemia associou-se à fabricante chinesa de medicamentos Sinovac Biotech para conceber, desenvolver e testar em parceria uma vacina que pudesse impedir o colapso do sistema de saúde brasileiro – a CoronaVac. A parceria entre as duas instituições prevê troca de conhecimento e de tecnologia, mas a produção da CoronaVac é local, ou seja, feita totalmente no Brasil. Em outras palavras, o desenvolvimento da CoronaVac é do Butantan, utilizando matéria-prima (IFA) chinesa. Além disso, os estudos clínicos de aplicação da CoronaVac no Brasil também são responsabilidade do Butantan.

Janssen: é a empresa farmacêutica da corporação norte-americana Johnson & Johnson, fundada em 1886, cuja sede fica em Nova Brunswick, Nova Jersey. Também desenvolveu uma vacina contra a Covid-19, utilizando a tecnologia de vetor viral recombinante. O vetor viral usa um adenovírus humano para expressar a proteína S do SARS-CoV-2. Ou seja, ele usa um vírus do resfriado comum desenvolvido para ser inofensivo. Em seguida, o vetor carrega parte do código genético do coronavírus para o corpo, mas de maneira segura contra a infecção. Isso é suficiente para o corpo reconhecer a ameaça e, então, aprender a combater o coronavírus. Aplicada em dose única, sua eficácia é de 66% contra casos moderados e graves da Covid-19, eficácia de 85,4% contra os casos graves, e 100% de proteção contra hospitalização e morte por Covid depois de 28 dias da aplicação. O Brasil recebeu suas primeiras doses (1,5 milhão) em 22/06/2021.

Kit-Covid: como ficou conhecido um coquetel de medicamentos supostamente indicados para tratar e/ou prevenir a Covid-19, ou seja, realizar o chamado “tratamento precoce”. O Governo Federal defendeu de forma ampla o uso desses medicamentos, acompanhado por algumas secretarias de saúde estaduais e municipais. Entre os principais remédios indicados para uso estariam a dexametasona, ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina. Nenhum desses medicamentos teve eficácia comprovada, podendo, ainda, causar prejuízos à saúde, principalmente alguns tipos de hepatite medicamentosa, isto é, danos ao fígado por excesso de medicamentos. Infelizmente não foi comprovado, até o momento, que medicamentos sejam efetivos na prevenção da doença, mas na ciência as evidências podem ser alteradas, principalmente no caso de uma pandemia de um vírus tão novo, como ainda é o Sars-CoV-2 (novo coronavírus). Por enquanto, as únicas formas de prevenção da infecção pelo novo coronavírus com comprovação de eficácia são os protocolos de segurança como o uso da máscara, higienização constante das mãos, distanciamento social e a vacinação.

Linhagem: conjunto de variantes que surgiram de um vírus original. As linhagens são definidas como organismos que compartilham um ancestral comum e apresentam mutações similares. No caso dos vírus, a maioria das mutações não causa mudanças na capacidade de dispersão, infecção ou na gravidade da doença. Entretanto, uma minoria dessas mudanças pode levar o vírus a se tornar mais transmissível ou mais mortal.

Live: palavra de origem inglesa, que significa literalmente “vivo” ou “ao vivo”. É uma transmissão ao vivo de áudio e vídeo na internet, geralmente feita por meio das redes sociais. Em meio à pandemia do novo coronavírus, artistas de todo o mundo e de segmentos diversificados têm se apresentado digitalmente por meio de lives, contribuindo para a interação social e o entretenimento durante o período de isolamento.

Lockdown: palavra de origem inglesa que significa literalmente “confinamento”; é um bloqueio que, imposto pelo Estado ou por uma ação judicial, restringe a circulação de pessoas em áreas e vias públicas, incluindo fechamento de fronteiras. Geralmente ocorre em situações de pandemia com o intuito de evitar a disseminação do vírus. Lockdown é uma medida de Estado, imposta por lei, enquanto isolamento é uma recomendação do governo, adotada ou não de forma voluntária pela população.

Máscara cirúrgica: é um produto descartável, fabricado com uma mistura de algodão e TNT, e que protege apenas de agentes infecciosos por gotículas. Isso significa que ela não é tão eficaz contra agentes infecciosos transmitidos por via aérea, presentes em partículas de dimensões de 5μm ou menos. Além disso, ela não possui filtro, apenas forma uma barreira de proteção do nariz e da boca contra gotículas e fluídos.

Máscara N-95, PFF2, KN95: máscara utilizada para evitar a dispersão do vírus. Oferece ampla proteção contra aerossóis, as menores partículas respiratórias possíveis para a transmissão dos vírus, que ficam suspensas no ar por alguns minutos. É dotada de quatro camadas filtrantes, de modo a minimizar ao máximo os espaços por onde o ar poderia passar sem ser filtrado. É a mais caras para ser produzida, pois é considerada um EPI (Equipamento de Proteção Individual). N95 é a nomenclatura utilizada nos Estados Unidos; no Brasil é chamada de PFF2 – Peça Facial Filtrante (versão 2); já a máscara chinesa KN95 tem algumas funcionalidades semelhantes à PFF2, porém sua fabricação não tem padronização, dificultando o controle de qualidade, tendo sido, inclusive, desaconselhada pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Moderna: abreviação de RNA modificado – é uma empresa de biotecnologia com sede em Cambridge, Massachusetts. A vacina, chamada mRNA-1273, foi desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. Assim como a vacina da Pfizer, a da Moderna é feita usando o RNA mensageiro, ou mRNA, que é uma receita genética para fazer um pedaço dos espinhos que caracterizam o aspecto externo do coronavírus. Uma vez injetado, o sistema imunológico da pessoa vacina produz anticorpos contra os espinhos. Se uma pessoa vacinada for exposta posteriormente ao coronavírus, esses anticorpos devem estar prontos para atacar o vírus. Seu nível de eficácia é de 95%, e sua principal vantagem em relação às demais vacinas é que não precisa ser mantida em temperaturas superfrias, mas em temperaturas de cerca de -20 graus Celsius, valor próximo a de um freezer doméstico. O Brasil não recebeu, até junho de 2021, doses da Moderna.

Mutação: é uma mudança na sequência de DNA ou RNA, que pode ser benéfica, maléfica ou neutra. Os vírus sofrem mutações à medida que se replicam, processo que requer cópia da informação genética. Nesse processo, podem ocorrer mutações no material genético. Até o final de janeiro, foram identificadas cerca de 4 mil mutações apenas na proteína Spike do Sars-CoV-2, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Se a mutação afeta a parte do vírus que é usada na vacina ou que é usada pelo sistema imunológico para neutralizar o vírus, uma variante pode se tornar uma cepa. Nesses casos, a vacina não fornece mais uma resposta eficaz à nova cepa do mesmo vírus, como ocorre com o vírus da gripe, sendo necessária nova vacinação. Segundo o pesquisador Felipe Naveca, da Fiocruz Amazônia, ”a mutação é a base para tudo. Então, as mutações é que vão levar, por exemplo, a nova variante ou, se depois se essa variante passar a ser algo realmente importante, será classificada como uma linhagem”.

Negacionismo: atitude tendenciosa que consiste na recusa a aceitar a existência, a validade ou a verdade de algo, como eventos históricos ou fatos científicos, apesar das evidências ou argumentos que o comprovam. É um sistema de crenças que, sistematicamente, nega o conhecimento objetivo, a crítica pertinente, as evidências empíricas, o argumento lógico, as premissas de um debate público racional, e tem uma rede organizada de desinformação. Durante a pandemia do Covid-19, o negacionismo no Brasil tomou proporções alarmantes, manifestando-se na negação ou minimização da gravidade da doença, no boicote às medidas preventivas, na subnotificação dos dados epidemiológicos, na omissão de traçar estratégias nacionais de saúde, no incentivo a tratamentos terapêuticos sem validação científica e na tentativa de descredibilizar a vacina, entre outros exemplos. O negacionismo acentua incertezas, influencia na adesão da população aos protocolos de prevenção, compromete a resposta do país à pandemia e ameaça a democracia.

“Novo normal”: embora pareça uma nova expressão, o termo foi criado pelo empresário americano Mohamed El-Erian, em 2009, para falar sobre as consequências da crise econômica mundial daquele período. Desde então, a expressão tem sido usada para se referir a um momento após uma ruptura de grande magnitude. Considerando o cenário de pandemia de Covid-19, a aplicação do termo no momento atual faz todo o sentido. Com a imposição do isolamento social, as pessoas logo começaram a desejar que a vida e a rotina voltassem à normalidade. Assim, desde então, discute-se como seria esse novo normal. Ele refere-se ao período após um momento ou evento que promoveu rupturas estruturais. Ou seja, a mudança foi tão intensa que é difícil acreditar que a situação será normalizada e tudo voltará a acontecer como antigamente. É importante lembrar que eventos globais, como pandemias e guerras, aceleram o desenvolvimento de novas tecnologias, seja em saúde, comunicação, entretenimento, etc, e isso aconteceu fortemente durante a pandemia. Para se adaptar à crise sanitária, grandes mudanças foram necessárias, tanto na vida profissional, quanto na pessoal. O novo normal pode ser entendido como a nova forma de viver, capaz de garantir segurança e sobrevivência à população. Portanto, o termo refere-se, principalmente, às ações cotidianas e à nova maneira de se relacionar, considerando as mudanças enfrentadas durante a pandemia.

OMS: Organização Mundial da Saúde, órgão da ONU – Organização das Nações Unidas.

On-line: palavra originária do inglês, significa literalmente “em linha”; que tem ligação direta ou remota a um computador ou rede de computadores, como a Internet. Ganhou força com as atividades realizadas remotamente durante a pandemia.

Paciente zero: primeiro humano acometido por alguma doença viral ou bacteriana.

Pandemia: disseminação mundial de uma doença contagiosa, que se espalha por diversos continentes e tem transmissão sustentada entre pessoas. A OMS declarou a pandemia da Covid-19 em 11 de março de 2020.

Período de incubação: o tempo necessário para uma pessoa começar a mostrar sintomas da doença após ser exposta a um vírus. No caso da Covid-19, acredita-se que seu período de incubação seja de 5 a 12 dias, de acordo com a OMS.

Pfizer: empresa farmacêutica multinacional com sede em Nova Iorque, Estados Unidos. Sua sede de pesquisa e desenvolvimento encontra-se em Groton, Connecticut, e é uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo. Contra a Covid-19 desenvolveu a vacina Tozinameran, comercializada sob a marca Comirnaty e denominada popularmente por vacina da BioNTech/Pfizer. A companhia alemã de biotecnologia BioNTech é a desenvolvedora inicial de sua tecnologia e, em março de 2020, no começo da pandemia, aliou-se à farmacêutica americana Pfizer para acelerar o projeto do imunizante. Foi amplamente utilizada nos Estados Unidos, juntamente com as vacinas da Moderna e da Johnson & Johnson.

PNI: Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde. O Programa garante que todo cidadão tenha acesso às vacinas, por meio da imunização em massa da população, cujo objetivo é a erradicação de determinadas doenças.

Proxalutamida: fármaco cujo estudo para o tratamento da Covid-19 foi autorizado pela Anvisa em 19/07/2021; é um medicamento anti-androgênico que impede que células do corpo reconheçam os hormônios andrógenos, o que impediria também a replicação viral. Ele é estudado para o tratamento de cânceres de próstata e mama. Segundo a Anvisa, o estudo de fase 3 será realizado com participantes ambulatoriais do sexo masculino que apresentam sintomas leves e moderados da Covid. Os voluntários serão de Roraima (12 pessoas) e de São Paulo (38). O estudo é patrocinado pela empresa Suzhou Kintor Pharmaceuticals, da China.

Quarentena: prática de isolar pessoas para que não sejam expostas à contaminação, ou que já podem ter sido expostas e contaminadas por uma doença, e precisam evitar sua transmissão. O termo quarentena nasceu na Europa no século XIV, quando o continente estava sendo atingido pela peste negra, ou peste bubônica. Essa doença devastou cidades e regiões inteiras com uma alta taxa de letalidade, dizimando cerca de um terço da população europeia. Diante desse cenário, foram adotadas medidas para conter sua transmissão. O Senado italiano determinou que as pessoas ficassem isoladas por “quaranta giorni” (quarenta dias, em italiano), surgindo daí a expressão “quarentena”, embora o número de dias seja bastante variável atualmente. A quarentena pode ser autoimposta ou imposta pelo governo.

Respirador: também chamado de ventilador pulmonar, é um equipamento hospitalar usado para injetar ar nos pulmões por meio de um tubo introduzido pela boca ou nariz de um paciente. É essencial para a manutenção da respiração em pacientes que apresentam alguma deficiência respiratória, seja ela transitória ou permanente. Com o auxílio desses aparelhos, o paciente pode encontrar um conforto no momento de respirar e evita irritar os pulmões ao fazer força para conseguir realizar essa ação primordial para o corpo humano. Durante o movimento natural da respiração, troca de gases são realizadas para a manutenção adequada dos tecidos dos órgãos. Quando essa ação involuntária é prejudicada por alguma doença ou acidente, a atuação do ventilador pulmonar torna-se essencial. O ventilador pulmonar pode atuar de três modos: através das vias orais, das vias nasais, ou de uma traqueostomia. O equipamento envia o ar para os pulmões, possibilitando a troca de gases, e realiza também o movimento de expiração, com a retirada da pressão, atuando como um pulmão artificial substituindo o pulmão do paciente.

SARS-CoV-2: nome oficial do vírus que causa a Covid-19 (o novo Coronavírus, chamado inicialmente de n-Cov). O material genético do Sars-CoV-2 é denominado ácido ribonucléico (RNA). Para se replicar e, portanto, estabelecer a infecção, o RNA do Sars-CoV-2 deve sequestrar uma célula hospedeira e usá-la para se duplicar.

Semana epidemiológica: período de sete dias que registra os casos e óbitos que efetivamente ocorreram naquele período, com dados divulgados pelas Secretarias Estaduais de Saúde.

“Sommelier de vacina”: adotando o termo originário do “sommelier” de vinhos (do francês, pronuncia-se someliê, responsável pela adega num restaurante), a expressão passou a ser usada nas redes sociais para designar as pessoas que começaram a escolher imunizantes. Esta escolha, normalmente fundamentada em notícias falsas (ver fake news), que atribuiam efeitos colaterais e riscos de determinadas vacinas, acabou por atrasar o calendário vacinal no Brasil. Os relatos de agentes da saúde da linha de frente da vacinação repetiam-se Brasil afora: as filas enormes para receber o imunizante contra a Covid-19 começavam a se dissipar quando as pessoas descobriam que não receberiam uma dose da sua marca de preferência e, sim, de outro fabricante. As justificativas passavam pela dúvida sobre a eficácia ou sobre a segurança dessas vacinas. E a fila da vacina, que deveria correr para frear a disseminação do vírus e o surgimento de novas variantes, começava a ficar mais lenta.

Sputnik V: vacina produzida pela Rússia, cujo nome oficial é Gam-Covid-Vac, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, fundado em 1891. Chamada de Sputnik V em homenagem ao satélite russo lançado ao espaço em agosto de 1960, a vacina foi desenvolvida com dois adenovírus inofensivos, nomeados de D-26 D-5, que não causam doença no ser humano e são aplicados um em cada dose, o que pode ser considerado duas vacinas em uma. Aplicada em duas doses, com intervalo de 21 dias, atingiu uma taxa de eficácia de 97,6%. A União Química fez a transferência de tecnologia para produzir a Sputnik V no Brasil com o Fundo Russo de Investimento (RDIF), que detém a patente, e com Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, que desenvolveu a vacina, ainda em 2020, depois de visitar as fábricas na Rússia e treinar funcionários. Com isso, pretende produzir o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) em sua fábrica Bthek, em Brasília (DF), e fazer o envase em sua fábrica de Guarulhos (SP) – esta já certificada pela Anvisa. A União Química afirma que tem capacidade para fabricar até 8 milhões de doses dao imunizante por mês. A Sputnik V foi a primeira vacina contra a Covid-19 a ser registrada no mundo, ainda em 2020. A aprovação, porém, gerou desconfiança internacional, pois a Rússia autorizou o imunizante sem ter finalizado estudos de fase 3 (com população mais numerosa e diversa), o que foi feito posteriormente e depois publicado na revista científica The Lancet. A publicação dos resultados no renomado periódico científico, com dados consistentes de eficácia e segurança, fez a vacina conseguir registro em mais de 50 países, segundo o laboratório estatal russo. Entre eles, Argentina, Hungria, Belarus e México. No Brasil, porém, teve seu registro negado pela Anvisa em 26/04/2021, após visita de inspeção nos laboratórios das empresas Generium e UfaVita, que participam da produção do imunizante, e sua aprovação para importação só ocorreu em 04/06/2021.

Surto: casos repentinos de uma determinada doença, em uma área geográfica relativamente controlada, como foi o caso da Covid-19 no começo de janeiro de 2020, quando afetava somente a cidade de Wuhan, na China.

Taxa de letalidade: é o número de pessoas, em média, que morre após contrair a doença. Esse número é o resultado da divisão entre o total de mortes causadas pela doença e o número total de casos. Cada país e local apresenta uma taxa de letalidade diferente, dependendo de fatores como agilidade no diagnóstico e capacidade do sistema de saúde.

Taxa de mortalidade: ao contrário da taxa de letalidade, é calculada pela divisão do número de mortos por toda a população, não apenas pelo número de infectados. É o risco que qualquer pessoa na população tem de morrer pela doença.

Taxa de transmissão: taxa básica de capacidade de disseminação de um vírus entre pessoas. No caso do SARS-CoV-2, o número é de 2 a 3, ou seja, um portador da doença pode transmitir para mais 2 a 3 pessoas.

Telemedicina: atendimento médico à distância. Permite que médicos analisem laudos, exames ou recomendem um remédio de forma remota.

Teletrabalho: é aquele exercido em outro lugar específico que não a Sede do órgão público ou da empresa – como, por exemplo, em casa, numa biblioteca ou até mesmo em uma cafeteria. Faz-se necessário o uso de tecnologias de informação e de comunicação para o recebimento, envio e realização das tarefas/atividades entre empregado e empregador, tais como e-mail, WhatsApp, Facebook, softwares etc. Expressões sinônimas são “trabalho remoto” e home office (do inglês, escritório em casa).

Teste RT-PCR: tipo de teste molecular realizado a partir de uma amostra biológica, em laboratório, que pode detectar presença de material genético do SARS-CoV-2. É o teste atualmente utilizado para confirmação laboratorial da Covid-19. Feito com um longo cotonete a partir da coleta de mucosa do nariz e da garganta, permite a detecção do vírus já nos primeiros dias da doença.

Transmissão comunitária ou sustentável: momento em que a infecção é descoberta em pessoas que não viajaram recentemente e não têm conexão com nenhum caso conhecido. Há ampla circulação do vírus na comunidade, não sendo mais possível saber quem foi a fonte da contaminação.

Tratamento precoce: uso de medicamentos antes mesmo da doença se manifestar ou no início dos sintomas, que poderiam impedir o contágio ou formas graves da Covid-19. Foi defendido pelo governo brasileiro, por meio do uso de substâncias como a cloroquina, hodroxicloroquina, invermectina e azitromicina, o chamado “kit Covid”. Mas médicos, cientistas e entidades sanitárias como a Organização Mundial da Saúde, amparados em estudos, esclarecem que por ora não há opções para tratamentos profiláticos ou que, se aplicados no início dos sintomas, possam impedir o desenvolvimento de formas graves da Covid-19. Os médicos defendem porém, o atendimento precoce do paciente, ou seja, o diagnóstico e a medicação imediata, tão logo haja a confirmação da doença.

TrateCov: aplicativo desenvolvido pelo Ministério da Saúde que auxiliaria médicos no diagnóstico da Covid-19, com a coleta de sintomas e sinais de pacientes. O TrateCov seria, de acordo com o Ministério, um formulário voltado para profissionais de saúde, mas que ficou acessível para o público externo. Após ter sido descoberta por jornalistas e especialistas da área da saúde no Twitter, a plataforma serviu de teste para várias pessoas fazerem simulações com perfis diferentes de pacientes fictícios, e o resultado foi a indicação para tratamento precoce com os seguintes medicamentos: ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, sulfato de zinco, doxiciclina, zinco e dexametasona. As diferenças nos resultados das simulações estavam na alteração na dosagem, que varia conforme o peso do paciente indicado no formulário. Lançado oficialmente pelo Ministério da Saúde em 11/01/2021, o aplicativo foi retirado do ar dez dias depois, sob críticas. O Governo alegou que um hacker havia colocado o protótipo indevidamente no site do Ministério da Saúde.

Triagem: perguntas simples realizadas para determinar se alguém tem ou não o risco de ser portador de alguma doença. No caso do novo Coronavírus, a triagem pode ser a aferição de temperatura e perguntas sobre um possível contato com alguém suspeito de ter Covid-19.

Variante: ocorre quando um vírus original sofre uma mutação. No caso do SARS-CoV-2, as variantes continuam sendo o mesmo vírus, porém com alterações no seu material genético. Ao longo da pandemia foram identificadas ao menos 3 variantes importantes que facilitam a transmissão, ou seja, aumentam as chances de entrada do vírus na célula. Estas variantes foram identificadas na Inglaterra, África do Sul e no Brasil, especificamente em Manaus. Até o momento, os estudos mostram que as vacinas em testes ou já em uso conseguem garantir algum grau de proteção. Porém, quanto mais o vírus circular entre a população, maior será a chance de novas mutações aparecerem, não sendo possível estimar o grau de proteção que as vacinas irão proporcionar. Para que as vacinas consigam garantir uma proteção efetiva e servir como barreira para a proliferação da doença, é essencial bloquear a circulação do vírus e inibir sua multiplicação, isto é, manter as medidas de isolamento social. Em 31/05/2021, a Organização Mundial da Saúde anunciou um novo padrão para nomear as variantes do coronavírus. As novas cepas deverão ser chamadas por letras do alfabeto grego e não mais identificadas por meio do local onde foram detectadas pela primeira vez. A mudança quer evitar a estigmatização e a discriminação dos países onde essas variantes foram detectadas. A padronização também visa simplificar o tema. Com a mudança, a variante britânica passa a ser chamar oficialmente alfa; a sul-africana, beta; a brasileira, gama; e as indianas, de capa e delta.

Vírus: agentes infecciosos muito pequenos (20 a 300 nanômetros) capazes de entrar em células vivas, multiplicar-se e infectar seres vivos. Existem mais de 200 mil tipos de vírus no mundo, representando a maior diversidade biológica da natureza.

Webinar: é um seminário online em vídeo, gravado ou ao vivo, que geralmente permite a interação da audiência via chat. Ao pé da letra, o webinar é um seminário na web, ou seja, uma espécie de aulão ao vivo. A JFPR realizou dezenas de webinars, sobretudo na área de capacitação e treinamentos.

Zoom (ou zoom meetings): é um serviço de videoconferência baseado em nuvem usado para encontrar à distância, “virtualmente”, outras pessoas – seja por vídeo, áudio ou ambos, enquanto conduz bate-papos ao vivo – permitindo-se, dependendo da versão da plataforma (grauita ou paga), gravar tais sessões. Pode-se participar dessas reuniões por meio de uma webcam (câmera do computador) ou telefone celular. Em uma reunião Zoom é possível compartilhar tela (mostrar a todos os participantes um conteúdo hospedado apenas no computador de um dos usuários). A JFPR adotou este serviço e realizou dezenas de reuniões neste formato. Outras plataformas utilizadas por órgãos públicos e empresas para reuniões virtuais foram o Google Meet, o Webex, o Microsoft Teams, o Skype, e o EzTalks.

 

Fontes:
Instituto Butantan
Fiocruz
Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais
Dicionários online Houaiss e Priberam
Jornal O Globo
Portal Uol
Portal Educa Mais Brasil
Portal da Sociedade Paulista de Cardiologia
Dot.lib
ACCamargo Cancer Center